SÃO PAULO e BRASÍLA - Comprar dólar em espécie para viajar vai ficar
mais caro a partir de terça-feira, quando entrará em vigor o aumento do
Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A alíquota passará de 0,38%
para 1,10%, segundo decreto publicado nesta segunda-feira no “Diário
Oficial da União”. A medida encarece o custo da operação e incide sobre a
cotação do câmbio nas compras de moeda estrangeira em papel. O
Ministério da Fazenda espera um aumento de arrecadação anual de R$ 2,377
bilhões com a alteração. A alíquota para compra de moeda estrangeira em
cartão pré-pago foi mantida em 6,38%.
— A medida não tem um impacto na cotação, já que atinge apenas as
operações em espécie, que é aquela que se faz na casa de câmbio —
explicou Ítalo Abucater, gerente de câmbio da corretora Icap do Brasil,
lembrando que o grande volume de operações de câmbio ocorre no mercado
financeiro futuro (derivativos).
Com a nova alíquota, o turista que comprar US$ 100 ao câmbio de R$
3,60, por exemplo, pagará R$ 3,96 de imposto em vez de R$ 1,36 que é
cobrado de IOF até hoje.
Fernando Mombelli, coordenador-geral de Tributação da Receita
Federal, disse que a medida tenta alinhar a tributação do IOF em relação
a outros instrumentos equivalentes nas operações com moeda estrangeira.
Ele disse ainda que não acredita em uma corrida às corretoras para
realizar a aquisição de moeda estrangeira no dia de hoje devido às
mudanças.
A diretora da Graco Exchenge, Bruna Xavier, afirmou que a mudança não
era esperada e que deve ter algum impacto sobre as vendas em casas de
câmbio. Não pelo aumento em sim, mas porque ocorre em um momento em que a
volatilidade está muito grande.
— Esperamos um impacto sobre as vendas. Talvez com a queda no valor
do ticket médio. O aumento não é tão grande, mas é significativo no
momento que estamos vivendo, de fortes oscilações. O viajante pode ficar
um pouco assustado e optar por esperar um pouco — afirmou.
Na corretora, o ticket médio para moeda em espécia está em torno de
US$ 2 mil e de US$ 1 mil no cartão pré-pago. Bruna afirmou que a Graco
irá divulgar em redes sociais a mudança, para que os clientes fiquem
cientes do aumento do IOF. Até sexta-feira, a corretora também pretende
dar um desconto na cotação para compensar a alta do IOF.
Alexandre Fialho, diretor da distribuidora de câmbio turismo Cotação,
demonstrou preocupação com a medida, que poderia aumentar a procura
pelo mercado informal, uma vez que os viajantes podem tentar evitar esse
aumento de custo.
— É uma medida ruim porque acaba incentivando os clientes finais a
procurarem o mercado informal. Quando mais você taxa o mercado, que
vinha crescendo, você pode motivar os viajantes a buscarem outras
alternativas, mesmo não sendo legal — afirmou, ressaltando que hoje a
procura aumentou, já que os clientes querem evitar esse aumento de
custo.
Apesar da preocupação, o executivo afirma que ainda é prematura
quantificar essa possível migração ou uma redução do ticket médio. No
entanto, ele afirma que todo aumento de custo é ruim.
— O aumento da alíquota também aproxima o custo do papel moeda com o
pré-pago. A alíquota maior é negativa porque é sempre um custo ao
cliente, mas ela também pode ser compensada com uma oscilação para baixo
da cotação — concluiu.
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OUTRAS MUDANÇAS
Outra medida do decreto
publicado nesta segunda-feira foi a fixação em zero do IOF nas
liquidações de operações simultâneas de câmbio para ingresso de recursos
no país originárias da mudança de regime do investidor estrangeiro, de
investimento direto e para investimento em ações negociáveis em bolsa.
Na avaliação de Abucater, essa medida está atrelada à lei que permite a
repatriação de bens no exterior.
O decreto determina ainda que o IOF será cobrado à alíquota de 1% ao
dia sobre o valor do resgate, cessão ou repactuação, limitado ao
rendimento da operação, em função do prazo, sobre as operações
compromissadas realizadas por instituições financeiras com debêntures.
“Atualmente, em razão da incidência de alíquota zero de IOF,
verificou-se que as instituições financeiras aumentaram
consideravelmente essas operações de captação em detrimento das demais. A
medida pode gerar recolhimento de R$ 146,48 milhões e R$ 156,28 milhões
em 2016 e 2017, respectivamente”, explicou, em nota, o Ministério da
Fazenda.
fonte: http://oglobo.globo.com/economia/governo-aumenta-iof-do-dolar-de-038-para-110-1-19209761?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=compartilhar